Ilda Maria Costa Brasil, Celeiro da Alma

"Sonhar é acordar-se para dentro." Mario Quintana

Textos


 

ENTRE ROBÔS E HUMANOS

 

Os robôs se mantinham firmes na posição, enquanto o líder explicava:

– Você que fez o nosso projeto, você que começou tudo isso, você nos criou!

– Eu tentei! Eu queria fazer um robô que falasse com as pessoas de forma humana! E eu consegui. Olhe eu agora, conversando com vocês! Mas foi muito além... Eles, eles tentaram evoluir o projeto...

– E conseguiram! Olhe para nós! Perfeições! Somos melhores que os humanos!

– Não! Capturar pessoas e transformá-las em robôs não é humano! Agora... como eu ia dizendo, eles tentaram evoluir o projeto, mas não deu certo. Falaram que seria melhor para o ser humano se, além de falar de forma humana, também auxiliassem dessa maneira.

– E então...

– Eu não terminei! Se ele pegasse o extintor e desse para o mestre!

– O quê?

– Nada... mas ele te criou. O robô rebelde, que não obedece às regras, que se recusa a ouvir ordens e que não percebe que eu estava falando com meu marido agora!

O pai lançou um extintor de incêndio e ela pegou. Logo depois, deu um, dois, três golpes no robô.

– Ahgrhahaghar!!! –disse o robô, travando.

No chão, a mãe falou:

– Pode parar de fingir...

– Vire um de nós!  – falou o robô se recuperando.

– ... eu te programei, sei tua fraqueza. – disse a mãe.

Ela espirrou a espuma do extintor e, aos poucos, o robô foi explodindo. Todas as pessoas que viraram robôs se transformaram em humanos novamente e só se podia escutar um som, um coração: tudum, tudum, tudum, tudum... um coração de mãe, um imenso coração de mãe.

Matias Woida Frizzo - Membro da Academia de Letras Machado de Assis e do Clube Infanto-Juvenil Erico Verissimo, da Academia de Artes e Ciências e Letras Castro Alves - Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 10/06/2026
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