

QUEM FEZ ISTO?
Tu já terminaste uma obra e te perguntaste, quase assustada: Quem fez isto? Aquela sensação arrebatadora que te envolve durante todo o processo… A ideia não chega sozinha — ela nasce de uma imensidão de fatores invisíveis. A mente te leva longe. Muito longe. Tu imaginas… e da imagem brota outra… e outra… e outra. A adrenalina pulsa. Tu já vês a obra pronta dentro de ti antes mesmo de tocá-la. E a criação explode naturalmente na tua alma, no seu espírito. Durante a execução, algo acontece. Há momentos em que te desligas do mundo. O som ao redor desaparece. O tempo perde forma. Tu te conectas com algo maior. É como se fizesse parte de um fluxo invisível, uma corrente que te atravessa. Um lugar onde tudo ao redor some — e, paradoxalmente, um vazio se torna pleno. Eu sei… já falei de dualidade aqui. Mas quem vive esse processo entende. É o Yin e Yang em movimento. É a tensão e o equilíbrio. É perder-se para encontrar-se. E, ao final, eu me pergunto outra vez: Quem fez isto?!!! Não é erro. É ruptura. É a consciência em êxtase. É sair do corpo sem sair do lugar. É dissolver o “eu” até que reste apenas a obra. Em alguns momentos… eu não estou ali. E, ainda assim, estou inteira. Ana Paula Costa Brasil – Membro da Academia de Artes e Ciências e Letras Castro Alves – Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 24/05/2026
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