

OS VAQUEANOS
“Campo aberto, cenário... de coloridos matizes fauna e flora em raízes de perfeito relicário e o senhor tempo, lendário, com sua sapiência certeira abre e fecha a porteira das folhas do calendário.” (Cândido Adalberto de Bastos Brasil)
Em Restinga Sêca/RS, minha terra natal, a tradição de rodeios, festas gaúchas e competições campeiras floresceu com os CTGs “Mirim” e “Os Vaqueanos”, que transpassavam profunda conexão com a vida no campo e com a preservação de hábitos tradicionais. Na Região Central do Rio Grande do Sul, os rodeios tiveram suas raízes nas tradições e na sua história, como competição esportiva, entretenimento e cultura. Esses faziam parte das tradições de muitos municípios. “Os Vaqueanos” foi fundado em 29 de novembro de 1977 e registrado em 15 de dezembro de 1978. Teve como Fundadores: Adelino Alves da Costa, Antônio Carlos Alves Bohrer, Noely Alves da Costa, Armando Leopoldino dos Santos, Paulo Carvalho Bernardes, Pedro Arceli de Freitas, Garibaldi Antônio da Silva, José Juremi Machado Silva, Aldorindo Pessoa e Para a construção da Sede de “Os Vaqueanos”, na Rua Ernesto Friedrich, 412, todos os associados contribuíram. Casa pronta: atrações culturais, bailes, almoços e jantares (carreteiros, entreveros e churrascadas), encontros que reuniam inúmeras pessoas dos municípios vizinhos e da cidade, mistura de culinária típica, músicas tradicionalistas e danças de rodas, como: sapateios, sarandeios, vaneira, pezinho, fandango, chula, xote, chimarrita e a do lenço, todas realizadas com muita graciosidade e beleza. A dança dos facões só era feita pelos homens. Nos “Os Vaqueanos”, as invernadas artísticas tinham papel fundamental. Eram grupos organizados por idade que ensaiavam e se apresentavam com danças folclóricas, vestindo-se com trajes típicos. As invernadas costumavam realizar apresentações que encantavam o público e reforçavam o caráter educativo e cultural dos eventos. Entre as provas realizadas nos Rodeios, pelos “Os Vaqueanos”, lembro-me da montaria em touros e em cavalos, em que o cavaleiro deveria montar no touro ou no cavalo e permanecer no animal, enquanto ele estivesse fazendo a sua apresentação, movimentos rápidos e inesperados, assim como na montaria em touros, em que o objetivo era permanecer no cavalo o maior tempo possível. Tais competições exigiam dos competidores muito equilíbrio, coragem, força e destreza. Sempre ouvi de meu pai (Adelino), do Bohrer e do seu Ercy que a Prova do Laço era a estrela dos rodeios, consistia em laçar o animal com habilidade, precisão, velocidade e técnica. Meu pai era Campeão de rodeios regionais e do seu município, tal qual seu Ercy Machado, que, por uma fatalidade, em um rodeio, sofreu um acidente e faleceu. Com a morte do amigo, meu pai não mais competiu. Meu tio, Noely Alves da Costa, foi Patrão de “Os Vaqueanos” por várias Gestões. Para “Os Vaqueanos”, quaisquer provas campeiras representavam a ligação do gaúcho com a terra e com os animais. Ainda que fossem centros des atenções, os rodeios eram, antes de tudo, eventos sociais e culturais que reuniam famílias, amigos e comunidades. Os acampamentos montados nos seus arredores eram verdadeiras cidades temporárias. Compartilhavam histórias, músicas, danças, churrasqueiras, churrascos, carreteiros, entreveros e o amargo chimarrão que passava de mão em mão. Essa união de atividades transformava o rodeio em um grande festival de manifestações culturais encantadoras e emocionantes com o poder de unir crianças, jovens e adultos em torno do amor e do respeito pelas tradições. Hoje, integro a Estância da Poesia Crioula – Academia Xucra do Rio Grande, e, a cada Evento, as chamas do amor e do respeito pelas tradições gauchescas são reacendidas. Ilda Maria Costa Brasil
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 13/05/2026
Alterado em 13/05/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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