

ALMA DO CAMPO
A estrada de terra me chama em silêncio, um convite antigo gravado no chão. Sinto meus passos despertarem o tempo, erguendo do solo uma mansa oração. Não há ninguém, apenas o vento e o espaço, onde o meu peito finalmente encontra o seu lugar.
A madeira da cerca, marcada por invernos, guarda segredos que a chuva não apagou. Cada tronco é um verso de um livro eterno, sobre quem partiu e sobre quem aqui ficou. Eu toco a textura da vida em cada detalhe, sentindo que o campo entende o que eu sou.
Lá no alto do morro, a árvore solitária observa o horizonte como quem sabe esperar. Ela não teme a distância ou a sorte contrária, tem raízes profundas para nunca se abalar. E eu, que trazia um peso na alma, vejo naquelas folhas o jeito certo de respirar.
Nas sombras que crescem ao findar da jornada, onde o céu se abraça com o chão que pisei, vejo que a luz não se apaga, mas se faz morada. O rastro da estrada é a voz que não se cala: sou o destino que, com coragem, tracei.
Luiza Feijó – 15 anos - Membro da Academia de Letras Machado de Assis e do Clube Infanto-Juvenil Erico Verissimo, da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves e Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 13/05/2026
Alterado em 28/05/2026 Copyright © 2026. Todos os direitos reservados. Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor. Comentários
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