Ilda Maria Costa Brasil, Celeiro da Alma

"Sonhar é acordar-se para dentro." Mario Quintana

Textos


 

ALMA DO CAMPO

 

A estrada de terra me chama em silêncio,

um convite antigo gravado no chão.

Sinto meus passos despertarem o tempo,

erguendo do solo uma mansa oração.

Não há ninguém, apenas o vento e o espaço,

onde o meu peito finalmente encontra o seu lugar.

 

A madeira da cerca, marcada por invernos,

guarda segredos que a chuva não apagou.

Cada tronco é um verso de um livro eterno,

sobre quem partiu e sobre quem aqui ficou.

Eu toco a textura da vida em cada detalhe,

sentindo que o campo entende o que eu sou.

 

Lá no alto do morro, a árvore solitária

observa o horizonte como quem sabe esperar.

Ela não teme a distância ou a sorte contrária,

tem raízes profundas para nunca se abalar.

E eu, que trazia um peso na alma,

vejo naquelas folhas o jeito certo de respirar.

 

Nas sombras que crescem ao findar da jornada,

onde o céu se abraça com o chão que pisei,

vejo que a luz não se apaga, mas se faz morada.

O rastro da estrada é a voz que não se cala:

sou o destino que, com coragem, tracei.

 

Luiza Feijó – 15 anos - Membro da Academia de Letras Machado de Assis e do Clube Infanto-Juvenil Erico Verissimo, da Academia de Artes, Ciências e Letras Castro Alves e Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 13/05/2026
Alterado em 28/05/2026
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