Ilda Maria Costa Brasil, Celeiro da Alma

"Sonhar é acordar-se para dentro." Mario Quintana

Textos


 

LEMBRANÇAS DE VIAGENS

 

Em 06 de dezembro, ao tomar conhecimento do Tema da Antologia da Academia de Letras do Município do Rio Grande do Sul, lembrei-me das Viagens de Estudos as Missões. No dia seguinte fui aos meus guardados e encontrei cinco Dossiês “VIAGEM AS MISSÕES”. Excelentes fontes de consultas.

Por cinco anos, acompanhei Colegas e Alunos de 7º e 8º anos a Passeios de Estudos às Missões. Conforme a Disciplina, os Professores, criavam atividades, que encaminhava ao Prof. Jaime que montava um caderno com as propostas. Algumas perguntas deveriam ser preenchidas pós visitas; outras, no retorno à capital. Na maioria das vezes, participavam desta jornada os Professores de História, de Geografia; de Espanhol e eu, de Língua Portuguesa. Muito aprendi da História dos sete aldeamentos indígenas fundados pelos Jesuítas espanhóis na Região do "Rio Grande de São Pedro", atual Rio Grande do Sul, formado pelas reduções de São Francisco de Borja, São Nicolau, São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São João Batista, São Luiz Gonzaga e Santo Ângelo Custódio. Antes das visitações Professores e alunos reuniam-se para dicas e orientações importantes.

A Profª de História era a responsável por explicar ao grupo o que trouxera os jesuítas ao Brasil; como e quando foram formados os Sete Povos. Os Sete Povos também são conhecidos como Missões Orientais, por estarem localizados a leste do Rio Uruguai. “Os jesuítas vieram para evangelizar e incentivar os indígenas a assimilar os costumes europeus; no entanto, as relações entre missionários, colonos e indígenas não eram nada harmônicas. Em 1682, foi fundado o primeiro dos Sete Povos: São Francisco de Borja; 1687, São Nicolau; 1687, São Luiz Gonzaga; 1687, São Miguel Arcanjo; 1690, São Lourenço Mártir; 1697, São João Batista; e, 1707, Santo Ângelo Custódio.”

O Professor de Geografia de falar sobre as consequências desses. Disse-lhes que “Esses deram origem a cidades prósperas, auxiliaram na delimitação de fronteiras, e na formação de um expressivo folclore regionalista.  Ao concluir suas palavras, comentou o "Romance dos Sete Povos das Missões", de Alcy Cheuiche, que retrata a vida de “Sepé Tiaraju”, guerreiro indígena brasileiro, cuja figura permanece na história do povo rio grandense como um ícone heroico que fez parte da formação da identidade e do território do Rio Grande do Sul; e que episódios de resistência liderados por Sepé Tiaraju desencadearam novos movimentos de luta indígena após a sua morte, em 02 de fevereiro de 1756, durante uma batalha com os espanhóis.

A Profª de Espanhol de relatar os principais fatos que marcaram o ano 1750. Começou pelo Tratado de Madri e seus inúmeros conflitos. Nem padres nem índios queriam abandonar suas reduções, nem os portugueses queriam abandonar o Sacramento; série de confrontos que culminaram na Guerra Guaranítica, que deixou um rastro de destruição e sangue que muito abalou as estruturas do sistema missioneiro. E que, em 1759, a Companhia de Jesus fora expulsa de terras portuguesas, e, em 1767, a Espanha fizera o mesmo. As reduções foram esvaziadas, com a retirada final dos Jesuítas; as terras apossadas pelos espanhóis e os índios subjugados ou dispersos. Em 1801, quando eclodiu a nova guerra entre Portugal e Espanha, os Sete Povos já estavam em estado de desintegração”.

Eu, a Profª de Portugûes, sobre os legados cultural e histórico. “Os guaranis, liderados por Sepé Tiaraju, recusaram-se a abandonar as aldeias e enfrentaram os exércitos portugueses e espanhóis na Guerra Guarani (1753-1756). O conflito terminou com a derrota dos índios e a destruição das missões. Sepé Tiaraju foi morto em batalha e tornou-se um símbolo da resistência guarani. Apesar da destruição, o legado dos Sete Povos das Missões permanece vivo. As ruínas de São Miguel das Missões, um dos aldeamentos, foram reconhecidas pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade, tombado pelo IPHAN, preservando a memória deste período histórico. Marcas arquitetônicas, fronteiras, costumes e lendas da região estão expostas nos museus e nos sítios arqueológicos. A cultura missioneira influenciou a identidade do Rio Grande do Sul, sendo lembrada em festividades, na música, na arte e no turismo histórico.” Em passeio nas "Rotas das Missões", uma índia bastante idosa, contou-nos que, aos domingos e dias santificados, os nativos realizavam procissão, jogos, danças e teatros e, na saída da missa, os adultos recebiam a porção diária da erva-mate. Depois da refeição noturna, a comunidade reunia-se na igreja para rezar. Na ocasião, fomos presenteados com colares e camafeus.

Nos hotéis, após os jantares, o grupo, professores e alunos, divertia-se bastante. Eram inúmeras as opções; cantar, dançar, salão de jogos, banho de piscina, contar causos regionalistas ou piadas.

Atualmente, as cidades onde estavam instalados os Sete Povos das Missões recebem, com frequência, visitantes de outros estados e países. Empresas de turismo e o executivo municipal promovem passeios nas chamadas "Rotas das Missões", com o objetivo de refazer o caminho dos indígenas, promover a contemplação da natureza e visitar os sítios arqueológicos.

 

Referências

FLORES, Moacyr. Colonialismo e missões jesuíticas. Michigan: EST, 1996.

EISENBERG, José. As missões jesuíticas e o pensamento político moderno: encontro culturais, aventuras teóricas. Minas Gerais: UFMG, 2000.

CHEUICHE, Alcy. Sepé Tiaraju: romance dos sete povos das missões. [S. l.]: AGE, 2004.

BERNADI, Mansueto. O Primeiro Caudilho Rio-Grandense. Porto Alegre: Sulina, 1980.

 

Referências sobre o tema na Internet

https://www.todamateria.com.br/os-sete-povos-das-missoes/

http://www.historiabrasileira.com/brasil-colonia/sete-povos-das-missoes/

http://portaldasmissoes.com.br/noticias/view/id/1028/sete-povos-das-missoes,-uma-das-mais-notaveis-utop.html

http://penta2.ufrgs.br/rgs/historia/setePovosMissoes.html

Ilda Maria Costa Brasil
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 02/05/2026
Copyright © 2026. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras