

O SILÊNCIO QUE GRITA
Entre quatro paredes, o eco é de medo, Onde o lar deveria ser porto e abrigo. O golpe no corpo guarda um segredo, E o carrasco, por vezes, dorme ao lado, como amigo. A mão que afaga é a mesma que fere, Em ciclo vicioso que a alma consome; A história se cala, a dor se interfere, enquanto o respeito se apaga no nome. Direitos escritos em tintas de gelo, promessas de amparo que o vento desfaz. A lei se apresenta, mas falta o zelo, e a vítima espera a justiça e a paz. São medidas de papel, muros de vento, onde a proteção, é um rito atrasado; enquanto a estrutura ignora o lamento, o agressor caminha, impune liberado. Não basta o artigo, a norma ou o rito, se o acolhimento é frio e descrente. é preciso ouvir, o que corre no grito, E ver a mulher, como um ser existente. Menos "mínimo" e mais dignidade, menos burocracia, e mais proteção pois a vida não espera, a boa vontade de quem legisla, sem ter compaixão. Erguemos a voz, pelo fim da mordaça, pela mão estendida, que não vai julgar. Que a força da lei, não seja fumaça, mas chão de concreto, para se caminhar. Pelo direito de ser, de ir e de vir, sem que o gênero dite o destino e a dor para que a mulher possa enfim existir, sob o manto do zelo, e o escudo do amor. Maria Souza Cezar - Membro Efetivo Academia de Artes e Ciências e Letras Castro Alves - Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 08/03/2026
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