Ilda Maria Costa Brasil, Celeiro da Alma

"Sonhar é acordar-se para dentro." Mario Quintana

Textos


 

O SILÊNCIO QUE GRITA

 

Entre quatro paredes,

o eco é de medo,

Onde o lar deveria ser porto e abrigo.

O golpe no corpo guarda um segredo,

E o carrasco, por vezes,

dorme ao lado, como amigo.

A mão que afaga é a mesma que fere,

Em ciclo vicioso que a alma consome;

A história se cala, a dor se interfere,

enquanto o respeito se apaga no nome.

​Direitos escritos em tintas de gelo,

promessas de amparo que o vento desfaz.

A lei se apresenta, mas falta o zelo,

e a vítima espera a justiça e a paz.

São medidas de papel, muros de vento,

onde a proteção, é um rito atrasado;

enquanto a estrutura ignora o lamento,

o agressor caminha, impune liberado.

​Não basta o artigo, a norma ou o rito,

se o acolhimento é frio e descrente.

é preciso ouvir, o que corre no grito,

E ver a mulher, como um ser existente.

Menos "mínimo" e mais dignidade,

menos burocracia, e mais proteção

pois a vida não espera, a boa vontade

de quem legisla, sem ter compaixão.

​Erguemos a voz, pelo fim da mordaça,

pela mão estendida, que não vai julgar.

Que a força da lei, não seja fumaça,

mas chão de concreto, para se caminhar.

Pelo direito de ser, de ir e de vir,

sem que o gênero dite o destino e a dor

para que a mulher possa enfim existir,

sob o manto do zelo, e o escudo do amor.

Maria Souza Cezar - Membro Efetivo Academia de Artes e Ciências e Letras Castro Alves - Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 08/03/2026
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