Ilda Maria Costa Brasil, Celeiro da Alma

"Sonhar é acordar-se para dentro." Mario Quintana

Textos


 

HERANÇA DE GUERRA

 

Verde, vermelho e amarelo

são matizes do pendão

do Rio Grande - nosso chão,

atávico, heroico e belo,

o mais telúrico elo

que liga ao coração;

o centro guarda o brasão

onde há duas colunas jônicas,

o apoio e a moral maçônicas

na vida de cada irmão.

 

Da união dos dois pilares

que ornamentam o brasão

resulta a sustentação

dos seus eixos basilares,

fortalecendo os pares

na lei da ordem e razão

co'a identificação

da trindade de valia:

força, beleza e sabedoria

do Templo de Salomão.

 

Estrela de ponta isolada

ao alto - reto e direito,

tal qual o homem perfeito

e sua postura adotada,

na direção indicada

busca influência celeste,

simbolizando inconteste

toda espiritualidade,

virtude e qualidade

que ao ser humano reveste.

 

Acácia postada em louros

cingindo um sabre dourado,

expressa o dever sagrado

de preservar um tesouro,

no perene vivedouro

dos consagrados rituais

com os valores morais

ao longo desta jornada,

onde o barrete e a espada

não vão perecer jamais.

 

Um losango repartido

apresenta outros ângulos

e se vê quatro triângulos,

símbolo de vários sentidos,

tendo em seu núcleo reunidos

o território local

e as estrelas do ideal

no senso da irmandade:

fé, esperança e caridade,

com apoio universal.

 

Na base da identidade

do insigne emblema

grifado o glorioso lema:

liberdade, igualdade,

humanidade, à sociedade,

que é a quem lhe pertence,

o povo que luta e vence,

conforme o postulado

que se eterniza plasmado

na heráldica rio-grandense.

 

Esta herança de guerra

que tremula altaneira,

exalta a gesta campeira

nas tradições que encerra,

são modelo a toda a terra

as façanhas da capitania

e a história se alumia

de glória e magnitude,

no prumo da atitude

dos irmãos da Maçonaria.

 

Os ideais farroupilhas

de tal lábaro sagrado

vivem identificados

pelos laços das famílias,

com o verde das coxilhas,

o vermelho da coragem,

o amarelo da imagem

do solo pátrio agrário

e o perfil gaúcho templário

dos maçons e sua mensagem.

 

Homens em pé e a ordem,

livres e de bons costumes,

cada qual de honra e lumes,

p'ra tudo quanto abordem

fazendo com que transbordem

louvores pela conduta,

no êxito da labuta,

na convivência social,

no evolver espiritual

do polir a pedra bruta.

 

Um legado de valores

cultivados e repassados,

vividos e respeitados

por todos os seus primores,

estampados em três cores

e no cumprimento feito

com um crioulo respeito

à luz da real fortuna,

três abraços entre colunas,

pr'um mundo justo e perfeito.

Cândido Brasil - Membro da Academia de Artes e Ciências e Letras Castro Alves - Porto Alegre/RS & Presidente da Estância da Poesia Crioula - Academia Xucra do Rio Grande.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 03/02/2026
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