

APRENDER A OUVIR A LUZ
Depois que minha visão começou a falhar, descobri uma coisa que nunca imaginei: o silêncio também ilumina. Antes, eu vivia correndo atrás de detalhes — da cor exata das coisas, do brilho das luzes da cidade, do rosto das pessoas que eu amava. Quando tudo isso começou a desaparecer, achei que ia perder o mundo. Mas aconteceu o contrário. Foi o mundo que começou a chegar até mim de outro jeito. Passei a ouvir mais. O som da voz da minha mãe ficou mais nítido que qualquer imagem. O barulho do vento me mostrou caminhos que eu nunca tinha percebido. As palavras que antes eu só lia, agora eu sinto. Aprendi que nem toda luz está nos olhos. Tem luz que mora no que a gente escuta, no que a gente sente, no que a gente acredita. A baixa visão tirou algumas coisas de mim, é verdade. Mas me deu outras que eu não sabia que existiam. Hoje, quando me perguntam como eu faço para seguir, eu respondo a única coisa que realmente descobri: a gente não precisa enxergar tudo para não perder o caminho. Basta ouvir a luz que ainda nos chama por dentro. Rafael de Andrade Branco – 16 anos
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 30/12/2025
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