Ilda Maria Costa Brasil, Celeiro da Alma

"Sonhar é acordar-se para dentro." Mario Quintana

Textos


 

TAPERA

 

Passando pela estrada dá pra ver restos de vida

Um pedaço de parede que teima estar em pé

E nos cacos de cimento uma tinta colorida

Num rabisco de uma santa em comprovação de fé.

 

No terreiro esquecido, o machado na madeira

Sintomas de retirada sem tempo para pensar

Queria muito saber a tua história verdadeira

Pra ver se assim eu consigo, o quebra cabeças montar.

 

Dá pra sentir a energia que ficou neste lugar

O balde ainda no poço, por alguém que não voltou

A corda ficou pendente parecendo esperar

Quem usou do seu serviço, e depois abandonou.

 

O velho poço de balde, hoje virou armadilha

Por tempos matou a sede, de homens e animais

Foi fonte de água pura que sustentou a família

Mas sem cuidado e limpeza, a água não serve mais.

 

Teu teto velha tapera, tantos amores abrigou

Quanta vida aqui nasceu, cercadas por tuas paredes

Muitos por aqui passaram e quanta vida aqui findou.

Quantos aqui se embalaram usando as tuas redes.

 

Quando passo aqui tapera, dá vontade de ficar

Tentar entender um pouco o que aqui aconteceu

Saber qual foi o motivo pra alguém te abandonar

Deixando prá trás os sonhos e tudo o que aqui viveu.

Maria Cezar - Membro da Academia de Artes e Ciências e Letras Castro Alves – Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 15/11/2025
Copyright © 2025. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Comentários

Tela de Claude Monet
Site do Escritor criado por Recanto das Letras