

TAPERA
Passando pela estrada dá pra ver restos de vida Um pedaço de parede que teima estar em pé E nos cacos de cimento uma tinta colorida Num rabisco de uma santa em comprovação de fé.
No terreiro esquecido, o machado na madeira Sintomas de retirada sem tempo para pensar Queria muito saber a tua história verdadeira Pra ver se assim eu consigo, o quebra cabeças montar.
Dá pra sentir a energia que ficou neste lugar O balde ainda no poço, por alguém que não voltou A corda ficou pendente parecendo esperar Quem usou do seu serviço, e depois abandonou.
O velho poço de balde, hoje virou armadilha Por tempos matou a sede, de homens e animais Foi fonte de água pura que sustentou a família Mas sem cuidado e limpeza, a água não serve mais.
Teu teto velha tapera, tantos amores abrigou Quanta vida aqui nasceu, cercadas por tuas paredes Muitos por aqui passaram e quanta vida aqui findou. Quantos aqui se embalaram usando as tuas redes.
Quando passo aqui tapera, dá vontade de ficar Tentar entender um pouco o que aqui aconteceu Saber qual foi o motivo pra alguém te abandonar Deixando prá trás os sonhos e tudo o que aqui viveu. Maria Cezar - Membro da Academia de Artes e Ciências e Letras Castro Alves – Porto Alegre/RS.
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 15/11/2025
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