LEMBRANÇAS
Júlia, com 80 anos, sentada em uma cadeira de balanço, em seu jardim, lembrou-se, das manhãs em que Arlindo a despertava com uma flor, carinho que só não ocorria, quando ele viajava a negócios. Seu amanhecer era repleto de mimos. Embaixo do pratinho da xícara, versos de amor. Sentia-se amada e muito querida. Todos os dias, pegava um desses poemas e o colocava no mesmo lugar. Após tomar o café, abria-o e o lia com o mesmo encanto do passado. Horas depois, punha-o no lugar de onde o tirara. Júlia repetia esse gesto todas as manhãs, forma que encontrou para homenagear o seu grande amor. Durante os anos que estiveram juntos, construíram uma linda história de amor e de muito respeito. Nunca faltou entre eles companheirismo e felicidade. Os filhos, embora morassem fora do Brasil, mantinham contato com ela quase que diariamente. Arlindo, em momento algum, fora uma pessoa mesquinha e egoísta. Sempre demonstrou muito carinho e amor por todos. Vinte anos se passaram e Júlia mantinha em seu coração o mesmo amor por Arlindo. Foram muitos os momentos felizes compartilhados. Suas lembranças, nesse fim de tarde, acentuaram-se ao ouvir o vizinho, ao piano, tocando e cantando “Sonata ao luar”, de Beethoven, música esta que tocava no dia do primeiro encontro dela e de Arlindo. Ilda Maria Costa Brasil e Matheus Dias Godoy - Natália Moreira Machado - Rafael Balzano Perusso - João Vittor Citta Mella - João Vittor Bandeira Ritta - Fabiana Boscaini Viegas
Enviado por Ilda Maria Costa Brasil em 23/12/2022
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